quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jaó, o mega clube de um visionário que revolucionou o lazer e as artes em Goiânia nos anos 60 e 70

Nádia Lima

A década de 60 trouxe para a já habitada região do setor Jaó mais um elemento estimulador para a sua urbanização, que teve início antes mesmo do registro do loteamento, em 1951. A área recebeu um dos maiores projetos turísticos do estado: o clube Jaó. A década de 60 trouxe para a região do setor Jaó mais um elemento estimulador para a sua urbanização. A área recebeu um dos maiores projetos turísticos do Estado: o Clube Jaó. Seu idealizador, Ubirajara Berocan Leite, era um homem visionário, que enxergou oportunidade onde todos viam apenas um setor em formação, sem nenhuma infraestrutura, um espaço com potencial para erguer um empreendimento de sucesso. Só depois de lançado o clube, o setor deslanchou.

Ubirajara Berocan é natural de Porto Franco, em 2011 cidade do estado do Tocantins, Couto Magalhães. O sobrenome, curiosamente, não herdou dos pais — Bellarmino Elvídio Leite e Deodina Gomes de Oliveira —, mas foi fruto de uma homenagem à cidade que o viu nascer, às margens do rio Araguaia, em 23 de janeiro de 1913. Berocan é o nome que os índios carajás dão ao Araguaia e significa rio grande.

Os pais, alagoanos de Anadia, nome que recebeu a filha primogênita do casal, moravam em Conceição do Araguaia, Pará, onde Bellarmino era empresário e político de renome. Devido a um problema político a família passou uma temporada em Porto Franco, quando Ubirajara acabou nascendo. Um tempo depois, retornaram para Cocalinho, hoje Itaberaí, onde passaram grande parte da infância do filho.

 Em 1916, mudaram-se para a fazenda Viçosa, no município de Curralinho, atualmente Itaberaí. A irmã Anadia foi a responsável por ensinar ao irmão as primeiras letras. E, além de estudar na cidade, Berocan realizava todo tipo de serviço da fazenda: trabalhava na horta, na lavoura, no manejo do rebanho bovino, com aves, porcos e cabritos e no engenho de cana. O pai, Bellarmino, construiu um engenho de cana-de-açúcar, para a produção de açúcar e de aguardente. Com a colaboração dos filhos, os produtos da fazenda eram comercializados em Itaberaí.

Berocan ingressou na Faculdade de Odontologia de Goiás, que funcionava na antiga capital do Estado. Cinco anos mais tarde, tentou terminar sua faculdade, porém o curso havia sido extinto. Diante do fato, ele buscou outra alternativa, mudou-se para Ribeirão Preto, em São Paulo, e naquela cidade concluiu seus estudos.  Foi o acadêmico mais jovem da época e teria se formado aos 18 anos não fosse o contratempo.
Depois de formado, montou seu consultório em Anápolis e andou por diversas cidades do norte goiano, conforme seu próprio relato em Alagoanos Intrépidos, livro de sua autoria de 1992:
“Atendendo a vocação de aventureiro herdada de meu pai, fiz uma excursão com um singelo gabinete dentário ao norte do Estado, pelas cidades de São José do Tocantins (Niquelândia), Santana (Uruaçu) e Descoberto (Porangatu), voltando depois de mais de um ano a me fixar novamente em Anápolis”.

A vocação para inventar negócios o fez ir para Pium, no Tocantins, onde trabalhou na garimpagem e comercialização de cristal de rocha. Permaneceu na região por dois anos e também esteve envolvido na venda de produtos de consumo para os garimpos.
Berocan, em seu livro, admite que não ficou rico, mas afirma que o conseguiu com o cristal foi suficiente para iniciar sua vida com a esposa, Stella Dalva Rocha (que, depois de casada passou a assinar como Stella Dalva Leite), sendo que após a inauguração do Clube Jaó ela passou a ser conhecida como Stella Berocan. Após a viagem de núpcias, o plano era reabrir o consultório dentário. Mas o inquieto Berocan já estava envolvido na venda de dormentes para a estrada de ferro goiana e também montou em Anápolis, onde voltou a morar, um armazém de cereais por atacado. Abriu outros armazéns em Goiânia e Ceres. Ele morou em Anápolis 23 anos, só se mudando para Goiânia em dezembro de 1959.
 Um amigo também com vocação para empreender, Bernardo Sayão (chegou a vice-governador  de Goiás), o aconselhou na época da construção da emergente Brasília: “Você é tão destemido Ubirajara, Brasília não tem nem um posto de gasolina, você podia abrir um lá para abastecer os carros que vão pra missa”. Ideia aceita, diversificou ainda mais a gama de investimentos, abrindo o primeiro posto de gasolina de Brasília, o Brasília Diesel, que chegou a ter 14 unidades por todo o Estado.
 Pelo negócio de venda de combustível, conheceu os alemães donos da Mercedes Benz em São Paulo. E logo Berocan trouxe os primeiros caminhões da marca para Goiás e passou a representar a montadora em todo o Estado, com a Brasília Diesel S/A. Uma exigência da empresa em escolher Goiânia ou Brasília para residir trouxe a família Berocan para Goiânia, em 1959, porque duas das irmãs de Stella, Cina e Dalva, residiam na capital.
 Logo quando se mudou, ficou interessado por uma pequena chácara do cunhado Jacy Rezende, próxima à represa do Jaó, no setor de mesmo nome. Quando esteve no lugar para conhecer, gostou e propôs ao marido da irmã de sua esposa: “Aqui seria um bom lugar para fazer um clube. Você me vende esta chácara?”. O dono, não imaginando o futuro empreendimento, respondeu: “Vendo, aqui só dá lagartixa mesmo”.
 A escolha do local, ainda pouco habitado da cidade e a grandeza dos planos fizeram com que muitos se opusessem ao projeto. Até os amigos que conheciam sua visão e talento empresarial ficaram com um pé atrás. Otto Nascimento, o engenheiro e primeiro presidente da Celg, um de seus amigos, chegou a comentar: “Ubirajara, se você conseguir construir este clube, pode vender lotes na lua! Nisso aqui, nesse lamaçal, como é que você vai fazer?”.
Mas, ele não esmoreceu. Procurou Magalhães Pinto, dono da empresa responsável pelo loteamento, para conseguir uma área maior para seu negócio. Berocan lhe fez a proposta de asfaltar a pista principal da entrada do setor até o clube, em troca de terrenos ligados à área da chácara que já lhe pertencia.
 Fechado o negócio, partiu para o Rio de Janeiro em busca de um arquiteto para planejar o clube. Escolheu Sérgio Bernardes, discípulo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, que se destacava por grandes obras como o projeto do Pavilhão Brasileiro, na Feira Mundial da Bélgica de 1958, e pelo Pampulha Iate Clube, de Belo Horizonte. Sérgio ficou encantado com o que viu e prometeu: “Aqui construirei o mais belo clube do Brasil, e farei desse riacho o capeta”.
 Goiânia não possuía nenhum clube daquela dimensão, que atendesse a população em geral e não apenas a determinada classe. O mais expressivo concorrente da época era o tradicional Jóquei Clube de Goiás, o primeiro da cidade, fundado em 1938. Também já existia o Clube de Engenharia, erguido em 1942. O clube Jaó veio para preencher aquela lacuna de forma ousada e monumental.
A ideia de Berocan era construir um grande complexo de lazer voltado para a juventude, além de um espaço todo especial para crianças. Um lugar onde as famílias pudessem levar os filhos para passar o dia. Gostava de inovar, pretendia fazer um clube diferente e gigantesco para os moldes da época. Sua filha, Yara Berocan, em uma viagem a Portugal conheceu em Coimbra um lugar chamado Cidade dos Pequeninos, um espaço que era uma cidade em miniatura, com casas típicas do país e réplicas de grandes monumentos portugueses, além de escolinhas, lojas e igrejinhas. O pai gostou da ideia e quis reproduzi-la.
Desejava construir dois clubes distintos em um só lugar, a parte das crianças seria uma estrutura separada e até recebeu um nome especial: Jaozinho. Além da cidade para os pequenos, o projeto inicial contava com quatro piscinas (três formando a palavra Jaó), um campo de futebol, um de basquete e dois parques — tudo em dimensões adaptadas a criançada. Na área de adultos mais um campo de futebol, um de basquete, um de vôlei, quatro de tênis, quatro piscinas (uma olímpica), dois salões de festas, lagos, cachoeira, biblioteca, galeria de arte e um grande bosque, Babaçu, repleto de esculturas ao ar-livre. Uma área total de 110 mil m.
 Para toda essa empreitada precisava de uma campanha de lançamento grandiosa. Procurou a agência de propaganda Cannes, de propriedade de Zander Campos. Dizia ao publicitário que queria criar em Goiânia o maior e melhor clube do Brasil. Para completar o desafio, Berocan precisava vender três mil cotas para concretizar seus planos. Dividindo pelo número de habitantes de Goiânia, que em 1960 eram pouco mais de 150 mil pessoas, e prazo de três meses para levantar os recursos, deveriam ser vendidas aproximadamente 33 cotas ao dia para atender as metas — aí incluídos sábados, domingos e feriados.
 O lançamento do clube também trouxe ineditismo para a propaganda do estado. Foi a primeira vez que um jornal goiano estampava um anúncio de página dupla. A propaganda trazia uma família vestida em conservadores trajes de banho, ao fundo se via os projetos do clube, além de detalhada descrição da estrutura. E prometia: “Sim! Agora Goiânia tem um clube de luxo, de alta categoria – um clube à altura do desenvolvimento da cidade. (...) Reserve sua ‘quota’ do Clube de Regatas Jaó – V. (você) pagará em suaves mensalidades e dará milhares de horas de felicidade à sua família.”
 A campanha superou as expectativas de Berocan e proporcionou a venda de todas as ações no prazo de um mês. Além do dinheiro levantado com a venda de títulos a família possuía uma fazenda de criação de gado, em Porangatu. Berocan vendeu tudo, sob protestos da esposa Stella, para investir na obra.
 Stella lembra que o marido foi diversas vezes a São Paulo para comprar material de construção e, certa vez, encomendou 11 caminhões de madeira para o madeiramento do clube. Goiânia não contava ainda com uma rede comercial estruturada, pois tinha apenas 29 anos. Assim os materiais precisaram ser comprados na capital paulista até mesmo os móveis.
No início, a sede do Clube Jaó ficava muito longe do bairro. Funcionava na rua 82, Setor Sul de Goiânia, na residência do casal Ubirajara e Stella. Ali foi fundado o Clube de Regatas Jaó e funcionava um escritório de vendas de ações. Foi estruturada também a Prominco - Promoção e Incorporação Ltda, empresa responsável pela construção e administração. A pedra fundamental foi lançada em 5 de agosto de 1962. Diante do projeto e da maquete era difícil acreditar que todos aqueles planos seriam concretizados, ainda mais na década de 60, marcada pela instauração do regime militar no Brasil. No ano de 1965, a festa da Cumeeira, entregou a cobertura das dependências sociais do clube. O evento trouxe ao Jaó o palhaço Carequinha e sua trupe, que anunciou a construção do Jaozinho. O Jaó voltado para os pequenos foi inaugurado em 24 de maio de 1969, pelo então prefeito, Iris Rezende.
 Um pouco antes de sua inauguração, começou a funcionar no Jaozinho, em 16 de março de 1968, a Escola Jardim da Infância Jaó. Uma expansão do projeto inicial, mas que também viria atender ao propósito do clube de incentivar o desenvolvimento infantil e atender a toda família. O colégio ganhou outro nome em 7 de janeiro de 1980: Educandário Yara Berocan, primeira escola do Jaó, passando a homenagear a filha do casal de fundadores na data em que ela completaria 29 anos. Yara faleceu pouco tempo depois de voltar da viagem a Portugal, que inspirou a criação da miniatura de cidade no clube, em um acidente de carro aos 17 anos.
 Desde 1969 o clube oferece também uma colônia de férias. Realizadas nos meses de férias escolares, recebe crianças de várias idades para passar o dia aproveitando toda a estrutura do clube. Acompanhadas por monitores, os “coloninhos” se divertem em atividades como: passeios ecológicos, banhos de piscinas, tardes esportivas, cama elástica, entre outros.
Com a desativação da barragem da usina hidrelétrica, em meados da década de 70, houve expansão da área do clube, que em 2011 chega a 440 mil m. A represa Jaó proporcionava aos associados a prática de esportes náuticos, como barco, esqui, lancha, remo e justificava o nome Clube de Regatas Jaó. Depois de seu fechamento, quando a hidrelétrica foi desativada porque não atendia a demanda de energia para atender Goiânia, o clube não tinha mais como proporcionar a seus sócios a prática de esportes aquáticos. Desde então passou a ser denominado apenas Clube Jaó.
 Quando começou a funcionar, Stella dividia a administração do empreendimento com o marido e se encarregou também da realização de eventos. Em uma ida a São Paulo, fechou um contrato com um grande empresário da época, Lázaro Camargo. Stella mostrou a planta do clube, narrou a trajetória de lutas para sua concretização e expôs seu desejo de promover a cultura em Goiânia, ampliando para Goiás, através da realização de shows e diversos eventos no Jaó. Assim o clube se beneficiaria com a divulgação e passaria a ser conhecido pelo grande público, quem sabe até em âmbito nacional. Conseguiu contratar dez atrações com nomes de peso da música brasileira. Passaram pelos palcos do local na época Elis Regina, Edu Lobo, MPB4, Luiz Gonzaga, Elza Soares, dentre outros, que movimentaram Goiânia mensalmente.
Logo depois, foi a vez da promoção de carnavais memoráveis, que marcaram época. Começaram também a ser realizados inúmeros casamentos e formaturas. Eventos que trouxeram grandes personalidades brasileiras de diversas áreas: cantores, jogadores de futebol, políticos, atores, entre outros. Grandes nomes do futebol nacional também passaram pelo Jaó, entre eles Pelé e Carlos Alberto — expressivos nomes da seleção brasileira tricampeã na década de 70.
 Mesmo com a abertura das portas do clube, Berocan continuava tocando os outros negócios da família. Com o passar do tempo, ele se desfez de todos os seus outros negócios e passou a se dedicar somente a administração do clube.
Em 1969, após a morte de Yara, a família fixou residência em um sítio na Vila Viana, batizado de Sítio Berocan. Uma área de cinco alqueires onde Berocan viu  mais uma oportunidade de negócio. Em uma das viagens que fez ao exterior com sua esposa conheceu o leite pasteurizado, tipo A, vendido em saquinhos e ficou encantado. Visitaram, então, várias fazendas para conhecer o processo. Stella conta que na época das viagens a procura de laticínios, o marido também visitava clubes por onde passavam: estava nascendo ali o interesse por mais um negócio de sucesso.
De volta ao Brasil, comprou o maquinário para beneficiar o leite. Começou a vendê-lo com a marca Sano, já embalado e processado. O negócio deu muito certo e também contava com estrutura para distribuição do produto, com seis Fiorinos com caixas térmicas e revendedores. O empreendimento ia bem, mas Berocan teve um enfarto e com problemas de saúde decidiu desativar o Leite Sano, vendendo as máquinas e o rebanho leiteiro para um produtor de Patrocínio, cidade de Minas Gerais.
 O clube Jaó, além de centro de lazer e de atrações culturais, também foi um grande palco para a arte goiana. Na década de 70, Goiânia contava com apenas três galerias de arte: Casagrande Galeria de Arte, de 1972, de propriedade de Célia Câmara; a LBP Galeria de Artes, de Lourival Batista Pereira; e a Galeria de Arte Contemporânea Marina Potrich, de propriedade da marchand de mesmo nome. Stella Berocan foi a responsável pela abertura de mais uma galeria na cidade, dessa vez no Clube Jaó. 
Desde a construção do Clube Jaó, Stella procurou pelos artista plásticos que residiam em Goiânia para encomendar obras de arte, pois acreditava que esses trabalhos poderiam embelezar e valorizar o Jaó.O resultado pode ser notado por todo o clube em esculturas assinadas por DJ Oliveira e Ana Maria Pacheco, como Monumento ao Anhanguera e os Índios , painel que fica logo na entrada. No hall da administração está o biombo pintado dos dois lados por Frei Confaloni, encomendado por Stella  para embelezar o antigo salão de jogos. Na entrada do salão social pode-se apreciar na parede, grande trabalho em cerâmica esmaltada , realizado por DJ Oliveira na época da construção do Jaó, intitulado O Amanhecer em Goiás. Cada peça de cerâmica era desenhado no clube e levado até a então Universidade Católica de Goiás para ser queimado.
A primeira exposição ainda no clube foi do iniciante Siron Franco. Na época, estava começando a ganhar projeção nacional ao pintar Marilda Siqueira, esposa do então governador Otávio Lage. Na sequência, Omar Souto também expôs. Depois do sucesso das exposições, Stella decidiu dar continuidade ao projeto. Escolheu a data do Batismo Cultural de Goiânia e em 5 de julho de 1976 inaugurou a Galeria de Arte Jaó com uma exposição coletiva de diversos artistas: Siron Franco, DJ Oliveira, Isa Costa, Gustav Ritter, Antônio Poteiro, dentre outros. Foi um grande sucesso. Era a galeria que oferecia o maior espaço físico da época.
 Seguiram-se a essa diversas outras exposições. A galeria foi uma excelente vitrine para muitos artistas em início de carreira e também promoveu intensa comercialização de obras de arte. Mesmo tendo vendido muito material, a galeria ainda conta em 2007 com uma grande coleção de esculturas, telas e gravuras.  No Jaó as obras de arte não ficaram restritas ao espaço de sua galeria, mas se espalham por todo o clube. São murais e estátuas de Raul Di Vicenzio, DJ Oliveira, Frei Confaloni, Ana Maria Pacheco, Maria Guilhermina, Elifas e Antônio Poteiro distribuídas por toda a estrutura do clube:
Ubirajara Berocan Leite – Estátua - Raul Di Vicenzio, 1995, bronze fundido - Local: Cascata
Amanhecer em Goiás – Mural - DJ Oliveira, 1967, cerâmica vitrificada - Local: Hall Social
Jogando Xadrez – Mural - Frei Confaloni, 1967, óleo sobre madeira - Local: Administração
Menina Fazendo Paciência – Mural - Frei Confaloni, 1967, óleo sobre madeira - Local: Administração
Monumento ao Anhanguera e aos Índios – Mural - Ana Maria Pacheco e DJ Oliveira, 1967, relevo em esteatita - Local: Portaria Social
Menina Lendo – Painel - Frei Confaloni, 1967, óleo sobre madeira - Local: Salão da Cascata
Namorados ao Por do Sol – Painel - DJ Oliveira, 1967, tinta vinílica e betume sobre aglomerado - Local: Salão da Cascata
Namorados – Escultura - Ana Maria Pacheco, 1968, esteatita esculpida - Local: Bosque Babaçu
Piscis – Escultura - Maria Guilhermina, 1986, esteatita esculpida- Local: entre o Departamento Cultural e o corredor do Esporte
Sereia Tropical – Escultura - Elifas, 1990, terracota - Local: Piscina de Ondas
Ciranda de Violeiros – Escultura - Antônio Poteiro, 1980, terracota - Local: Hall Social


Além da galeria de artes, o clube também possui Sala de Leitura e um Salão da Cascata — rodeado de jardins, com uma cascata ao fundo, de onde acena a estátua de bronze do fundador Ubirajara — conjugado ao restaurante e lanchonete, tem capacidade para 250 pessoas. Outro espaço é o Salão Social, que comporta até 1000 pessoas e já sediou uma grande gama de eventos, incontáveis seminários, exposições, festas, formaturas e bailes.

A partir de 1980, a administração do Clube Jaó passou a ser dos filhos, Berocan cuidando então do leite e do córrego. Para começar foi inaugurado em 1996, o Salão Ara Macao,  obra de Aracy Berocan Leite e Dulcimar Castro Santana (in memorian), que passou a ser palco para grandes espetáculos em Goiânia. Já passaram por lá muitos shows, bailes de formatura, colações de grau, coquetéis, jantares, desfiles, feiras, congressos, carnavais, festas juninas e reveillons. Com capacidade para até oito mil pessoas e uma área de 4200 m o Ara Macao tem grande salão, palco, camarotes e camarins, sendo em 2011 conhecido como Sol Music Hall.

Com o intuito de preservar sua grande área verde, foi implantado em 1994 o Núcleo de Preservação Ambiental Bioparque Jaó. O projeto foi aprovado como zoológico pelo Ibama em 1998 e tem o objetivo de promover a preservação da área, desenvolver atividades de educação ambiental, além de pesquisas ligados ao meio ambiente. O Bioparque recria o ambiente da fauna e da flora regionais, utilizando o regime de semi-liberdade para os animais. Já em 2003, foi registrado como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Também tem em seus limites o Bosque Babaçu, que oferece quiosques e um espaço de descanso para os associados.

Quatro lagos também estão entre as atrações do clube, todos formados pelas águas do córrego Jaó. O maior é o lago Jaó que, além de “dormitório” para garças no outono e inverno, é onde funciona o Clube de Pesca. Suas águas são trazidas da nascente, a dois quilômetros. O lago dos Macacos abriga alguns animais do Bioparque, como tucanos, araras e saguis e seus primeiros habitantes, macacos pregos, o batizaram. O Jaó ainda têm o lago do Pirarucu, de pesca proibida e Lago do Bosque.

No ano de 1990, o Jaó trouxe para Goiânia uma novidade: o toboágua, inaugurado no Dia das Crianças. Dois anos mais tarde, em 11 de abril, foi a vez de um kamikaze, o segundo maior do país, com 15m de altura e 75m de extensão, que atinge até 80 km/h. Os investimentos em seu parque aquático fizeram do clube um membro da World Waterpark Association, a partir de 1993.

Outro pioneirismo foi a instalação de uma piscina de ondas, a quarta do Brasil e a primeira no Centro-Oeste. Sua construção teve duração de um ano, inaugurada em 26 de abril de 1996. Produz ondas de até um metro. O sistema é programado para funcionar 10 minutos a cada meia hora e, quando as ondas começam, uma sirene pode ser ouvida por todo o clube e muitos correm para aproveitar a diversão. A área da piscina de ondas também abriga uma piscina recreativa, com água aquecida e queda d’água.
A estrutura para a prática de esporte também tem destaque no Jaó, com três quadras de vôlei, duas de peteca, seis de tênis, três de futebol society, duas de basquete, duas de futsal e dois campos de areia. O clube também tem quatro piscinas, onde são realizadas aulas de natação e hidroginástica, inclusive há uma semi-olímpica. Um ginásio coberto completa a estrutura, onde são oferecidos cursos de iniciação esportiva. Em setembro de 2005, passou a ser chamado de Centro de Treinamento Daiane dos Santos e foi preparado para a prática da ginástica artística. Em 2 de abril de 2005 foram inaugurada quadras cobertas no novo Centro Esportivo Ara Macao.

 Ao logo da história do clube foram promovidos em suas dependências diversos campeonatos esportivos. Na década de 70, os Jogos Verde Amarelo trouxeram centenas de atletas de Goiás e Distrito Federal. Desde 1987, a Olinverno ou Torneios de Inverno e os Torneios Indoor também reúnem esportistas de diferentes modalidades.

Em 1996, Goiânia sediou a primeira edição dos Jogos dos Povos Indígenas. Entre 16 e 20 de outubro, mais de 400 atletas, de cerca de 29 etnias, participaram de competições na cidade. Aquela foi a primeira vez que vários grupos indígenas se reuniram para um evento de grande porte. As provas foram realizadas no já demolido Estádio Olímpico Pedro Ludovico, no Clube Ferreira Pacheco e também no Jaó. O clube também sempre apoiou equipes de diversas modalidades esportivas, que participaram de muitos campeonatos por todo o Brasil: tênis, futsal, basquete, entre outros.

Um enorme espaço de lazer com complexo aquático, grande estrutura para a prática de esportes, lagos, bosques, restaurantes, biblioteca, salão de sinuca, academia de ginástica, zoológico, clube de pesca, salões: tudo isso foi criado a partir da determinação de um homem que tinha visão além de seu tempo. Era difícil imaginar que aquela área, afastada do centro movimentado da capital sem infraestrutura alguma, pudesse se tornar o cenário de memoráveis festas, palco de inúmeros acontecimentos importantes, que receberia expressivas personalidades nacionais e sediaria uma vasta multiplicidade de episódios marcantes. Mas, para Berocan, nada o fazia desistir.

Trecho do livro Alagoanos Intrépidos confirma a personalidade do fundador do clube Jaó, que não se deixou abater pelas dificuldades para a sua concretização.

“Eu nunca aceitei a hipótese do Jaó fracassar, pois tinha consciência absoluta do crescimento rápido de Goiânia com o advento da construção de Brasília. Se lutei quase três décadas levando um barco contra a borrasca e venci, experimentei assim o sabor inigualável da vitória e sinto-me amplamente recompensado e feliz pelo que o Jaó oferece aos seus sócios, principalmente às crianças, agora e sempre. Nada mais gratificante do que lançar um olhar sobre aquela massa humana que lota o Jaó em todas as suas vastas dimensões nos sábados, domingos e feriados. A alegria das crianças, dos jovens, de todos enfim é contagiante e domina todos os semblantes.”

Depois da morte de seu fundador, Ubirajara Berocan, falecido em 23 de setembro de 1993, aos 80 anos, a viúva Stella também se afastou gradualmente da administração da galeria de arte e do clube, que ficou a cargo dos filhos Aracy, Andyara,  Berocan  Filho e  Ubajara.

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