segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os goianos que fazem sucesso na TV brasileira

Iúri Rincon Godinho

Algumas pessoas nascidas em Goiás fizeram história na televisão brasileira. Vamos focar em seis, uma jornalista, três profissionais e dois vencedores de reality shows, uma febre mundial que assolou as emissoras do mundo inteiro a partir da década de 90 do século XX.

O decano de todos e o mais famoso é o ator Stepan Nercessian, que saiu das redações do extinto semanário Cinco de Março, de Batista Custódio, para tentar a vida de artista no Rio de Janeiro, no início dos anos 70. Nascido em Cristalina, em 1953, ele é filho de pais armênio e cearense. Interessou-se cedo pela política, aproximando-se do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), com apenas 11 anos de idade. Devido à sua destacada atuação no movimento estudantil, foi impedido de cursar parte do colegial em escolas públicas, por pressão da ditadura militar.

No final dos anos 60, Stepan embarcou para o Rio de Janeiro onde iniciou sua carreira artística. Escolhido em testes, contou com seu talento e uma sorte inquestionável ao ser escolhido como ator do filme Marcelo Zona Sul (1970), que não fez sucesso algum. Daí para a frente atuou em trabalhos que também não tiveram muita repercussão, como André a Cara e a Coragem (1971), A Rainha Diaba (1974) e Gargalhada Final (1977).

Entretanto, a dureza da vida no cinema nacional abriu-lhe as portas da poderosa Rede Globo, onde entrou em 1972. Como todo iniciante, fez uma série interminável de pontas e personagens secundários em novelas, como Bandeira Dois, O Astro, Feijão Maravilha e Vale Tudo.

Demorou, mas Stepan conseguiu se firmar como um ator de relevância na televisão brasileira e no Rio de Janeiro. Quem conversa com ele hoje entende rapidamente que Stepan se tornou muito mais carioca do que goiano. Apesar de não perder o contato com o Estado, sua história é indissociável dos cariocas, chegando a ser eleito, nas últimas eleições municipais, vereador no Rio pelo PPS. É botafoguense, deputado federal e torce pela Caprichosos de Pilares. Foi também presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Rio de Janeiro.

Seu colega de Rede Globo Wolf Maia também partiu de Goiás para ser não apenas ator (o que é eventualmente), mas para se tornar um dos principais diretores da emissora. Quando saiu do Estado, Wolf ainda atendia por Wolfrido Campos Maia Júnior, nascido na capital em 1951. No Rio estudou no Conservatório Nacional de Teatro até ir, em 1981, para os Estados Unidos frequentar o Carnegie Hall Ballet of Arts.

Inicia carreira como ator na década de 70, atuando, dentre outros nos antológicos Rock Horror Show, 1975, e Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, em 1976. Se Stepan tinha um caráter mais popular, Wolf trilhou o caminho das peças de maior prestígio entre os intelectuais da época. Pode ser menos conhecido, mas é mais reconhecido.

De ator de teatro passou a diretor em 1980, ganhando prêmios importantes, como o Molière e o Mambembe. Em uma jogada arriscada, começa a trazer para o Brasil musicais da Broadway, que em 2011 são sinônimo de sucesso e garantia de temporada cheia. Os que tentaram antes dele ficaram em dificuldades ou, como Walter Clark — muito mais poderoso —, simplesmente faliram.
Como diretor da Globo, Wolf começou em 1981, na novela Ciranda de Pedra. Tem cerca de 30 novelas no currículo, alcançando, em 1995, a glória das glórias da Rede Globo: ganhou para si um núcleo especial de dramaturgia.

Nem só de homens é feita a televisão brasileira. Cláudia Liz Cruz, goianiense de 6 de maio de 1970, foi uma das modelos mais requisitadas do Brasil no final da década de 80 e na primeira metade da década de 90. Morou em Paris, Milão, Nova Iorque e Madri, cidades onde desfilou para Chanel, Ferre, Missioni, Yohgi Yamamoto e Jean-Paul Gaultier. De volta ao país, apresentou um programa sobre moda na MTV, fez cinema e participou de novelas e minissérie. Recentemente, lançou o livro O Caminho da Passarela e é sócia da agência de comunicação Misslily.

Entretanto, ela apareceria para todo o Brasil não pelo que fez na TV, mas por um fato que mexeu com todo o país. Cláudia foi a primeira pessoa relativamente famosa a passar por problemas ao fazer uma lipoaspiração, o que lhe rendeu dias entre a vida e a morte e uma depressão de três anos.

No dia 9 de outubro de 1996, a ex-modelo e atriz entrou na Clínica Santé, em São Paulo, para a operação. Queria emagrecer dois quilos. Saiu de lá, horas depois, direto para o Hospital Albert Einstein em coma. A anestesia que os médicos aplicaram resultou em um edema cerebral e a atriz teve convulsão, com grau de coma 8 — em uma escala que vai até 10.

Dias depois, quase recuperada, acenava na sacada do quarto do hospital para os fãs. Ficou com sequela química no cérebro e, para se recuperar, tomou doses maciças de antidepressivos. Nas duas participações logo após o acidente, na novela Pecado Capital e na minissérie Dona Flor. “gravava completamente biruta”, disse.

Ainda falando sobre atores, são de Goiás também Ingrid Guimarães e Carolina Ferraz. A primeira mais ligada ao humor, já tendo estrelado programas próprios na Globo. Carolina é especialista em novelas.
Lília Teles não teve, pelo menos até agora, uma vida tão atribulada quanto a de Cláudia e nem é atriz como Ingrid e Carolina. Mas 2011 é o principal rosto de Goiás na televisão brasileira, como ex-correspondente da Rede Globo nos Estados Unidos e repórter do Jornal Nacional.

Lília não era jornalista quando começou na TV Anhanguera. O que ela tinha (e tem) é uma intimidade total com a câmera. Ou seja, apesar de não ser jornalista, levava jeito. Seu tipo físico, bonita, magra, jovem, cabelos lisos, batiam com o perfil do padrão Globo — o que, por si só, não garante nada nem a estudantes formados na melhor escola de jornalismo do Brasil. Os ex-patrões de Lília completam que ela é séria, dedicada, competente e segue as regras das emissora à risca. Por isso, depois de sair de Goiás para o Rio de Janeiro, passou por Nova Iorque e em 2011 está no Brasil. Outros jornalistas locais ganharam destaque nacionalmente, como Valteno de Oliveira, na Bandeirantes, Cleisla Garcia, na Record, e os globais Helter Duarte e Luciano Cabral, este último na Globo News. Téo José Auad brilha nas transmissões esportivas, com um currículo que inclui vários veículos de comunicação.
Dois outros goianos encantaram o Brasil e fizeram história na televisão brasileira. Léo Rassi venceu a segunda edição do programa No Limite, o primeiro reality show da TV nacional, indo ao ar logo depois do poderoso Fantástico, na Rede Globo.

A ideia da atração é simples e arquetípica: um grupo de pessoas luta pela sobrevivência em um meio hostil (no caso uma região inóspita de Mato Grosso), de isolação e extrema competitividade. Em resumo, brigam para não morrer na competição. Léo passou por todas as provas e se sagrou campeão na noite de 25 de março de 2001, depois de procurar três partes da estátua de um animal alado, levá-las num carrinho de mão por uma estrada de cascalho até o local onde a figura deveria ser montada. Na última prova os competidores tiveram apenas que, de olhos vendados, contar mentalmente 1 minuto e 23 segundos. O concorrente que mais se aproximasse do tempo determinado venceria a competição. Léo indicou 1 minuto e 30 segundos.

Na época estudante de Engenharia da Computação, já havia morado nos Estados Unidos, onde trabalhou como garçom. Ele trouxe para Goiânia R$ 300 mil em dinheiro e um carro. Discreto, quase tímido, investiu em uma loja de games e vive normalmente como qualquer pessoa que teve seus 15 minutos de fama e não se deixou encantar ou iludir por eles.

Em setembro de 2009 outra goiana voltou a vencer a mesma atração. A bombeira Luciana Luiza de Araújo, então com 38 anos, por outro lado, não teve a exposição de Léo. Discreta, voltou à sua vida normal tão logo terminou o prorama. Além do mais No Limite não era mais novidade, tanto que não voltou a ter nova edição, pelo menos até agosto de 2011, quando este livro foi finalizado.

Se Rassi venceu o No Limite, Dhomini ganhou o pai de todos os reality shows, o Big Brother. Ele é um sujeito pra lá de interessante. Antes da fama e da conquista, trabalhava como motorista para o então deputado federal Barbosa Neto. Os colegas o conheciam pelo seu verdadeiro nome: André, sobrenome Augusto Ferreira Fontes.

Dhomini tem algumas crenças no mínimo exóticas. Acredita no poder dos números para realizar esta ou aquela ação. Tanto que no programa vivia repetindo sequências numéricas. Pelo visto parece ter dado certo. O mesmo não se pode dizer de sua tentativa fracassada de ser vereador em Goiânia nas eleições de 2004. Ou de sua dupla sertaneja com Dhoni, que ainda não emplacou.
O que não se pode negar é o carisma do ganhador do Big Brother. Patrícia Barbosa, irmã do ex-deputado Barbosa Neto, e que conhece Dhomini há vários anos, diz que ele tem um magnetismo que torna fácil a aproximação das pessoas.

_ É só ele aparecer que todos correm pra falar ou mesmo apenas encostar nele, — conta.
Dhomini foi um dos vencedores mais óbvios do Big Brother. Quando 51% dos votantes confirmaram a sua vitória no dia da mentira, 1º de abril de 2004, ele virou o dono do prêmio de R$ 500 mil do programa. Levou também a mais disputadas das “big sisters”, Sabrina Sato, um namoro que não durou muito tempo. Mineiro mas criado em Goiás, ele tentou a carreira política em duas ocasiões, sem sucesso. Em 2011, é servidor público do Estado.

4 comentários:

  1. Cláudia Liz, não é goianiense. A ex model é natural de São Luís de Montes Belos - Goiás.

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  2. Nao esquecendo de citar o excelente marcos Humel natural de Catalão....

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  3. Nao esquecendo de citar o excelente marcos Humel natural de Catalão....

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  4. Nao esquecendo de citar o excelente marcos Humel natural de Catalão....

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